Empresário é denunciado por supostas obras irregulares e desmatamento em área protegida no MA

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) intensificou as ações contra danos ambientais em área protegida no interior do estado. Nesta terça-feira (3 de fevereiro de 2026), foi ajuizada uma Ação Civil Pública contra o empresário Abner Azevedo Silva. Anteriormente, em 29 de janeiro, já havia sido oferecida uma denúncia criminal pelo mesmo caso.

As medidas foram tomadas pela Promotoria de Justiça de Passagem Franca, assinadas pelo promotor Carlos Allan da Costa Siqueira, que responde temporariamente pela comarca.

O que aconteceu na Chácara Recanto dos Pássaros

De acordo com o MPMA, as irregularidades ocorreram na Chácara Recanto dos Pássaros, localizada no povoado Recanto, zona rural de Passagem Franca (MA). A área é classificada como Área de Preservação Permanente (APP), às margens do Rio Corrente, o que exige proteção especial pela legislação ambiental.

O empresário é acusado de realizar intervenções sem qualquer licenciamento ambiental ou autorização dos órgãos competentes (como Ibama, SEMA-MA ou Polícia Ambiental). Entre as principais irregularidades apontadas:

  • Desmatamento de 19.248,76 m² de vegetação nativa, incluindo palmeiras de babaçu;
  • Obstrução do leito do Rio Corrente;
  • Construções irregulares, como:
    • Uma casa residencial;
    • Barraca;
    • Quadra de areia;
    • Quiosque;
    • Escadarias;
    • Três tanques de piscicultura;
    • Criação de uma praia artificial;
  • Perfuração de poço artesiano sem permissão.

Essas obras teriam transformado a área em um complexo de lazer privado, causando degradação significativa ao ecossistema ripário (margens de rio).

Multa anterior e embargo

Em agosto de 2025, o Batalhão da Polícia Ambiental (BPA) já havia autuado Abner Azevedo Silva. Na ocasião:

  • Aplicada multa de R$ 1,5 milhão;
  • Determinada a suspensão imediata de todas as obras e atividades no local.

Apesar do embargo, as investigações indicam que as intervenções continuaram ou não foram revertidas adequadamente.

O que o MPMA pede na Justiça

Na Ação Civil Pública (ajuizada em 3/2/2026):

  • Elaboração e execução de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), com replantio e restauração ambiental;
  • Pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 200 mil, revertido ao Fundo Municipal do Meio Ambiente de Passagem Franca;
  • Multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento de ordens judiciais, também destinada ao fundo ambiental municipal.

Na esfera criminal (denúncia de 29/1/2026):

  • Condenação pelos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), especificamente:
    • Art. 38: destruição ou dano a floresta considerada de preservação permanente;
    • Art. 48: impedir ou dificultar a regeneração natural de vegetação em APP;
    • Art. 60: construir, reformar ou instalar obra/atividade potencialmente poluidora sem licença ambiental.

Contexto e importância

Casos como esse destacam a fiscalização ambiental em áreas de preservação permanente, especialmente em regiões com rios e vegetação nativa como o babaçu, fundamental para a biodiversidade e comunidades locais no Maranhão.

O MPMA reforça que ações sem licenciamento violam o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e a Política Nacional do Meio Ambiente.

O processo tramita na Justiça Estadual de Passagem Franca. Até o momento, não há informações públicas sobre defesa ou posicionamento do empresário Abner Azevedo Silva.

A reportagem acompanha o andamento do caso. Qualquer novidade será atualizada.

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